O menino que sujou o sol de sombra

Num dia de sol bem forte, o menino estava correndo, quando de repente reparou na sua sombra no chão. “Eu tô sujando o sol”, ele pensou. Aí resolveu experimentar: esticou o braço, e uma mancha comprida, com cinco dedinhos na ponta, escureceu a luz do sol deitada no chão. Levantou a perna e, bem debaixo dela, apareceu um encardido mais comprido ainda e com um sapato no fim.

“Puxa, se eu posso sujar o sol, então eu devo ser um super hiper mega mágico!”

No início, o menino não sabia o que fazer com a mágica, mas depois começou a ter umas ideias e quis logo ver se funcionavam.

“Abracadraba, sai daqui!”, ele gritou.

E o colega que estava perto dele sumiu, plim!

“Nossa, dá certo!”. Animado, o menino arrumou um caldeirão e decidiu que ia preparar uma poção de NÃO. Quem bebesse dessa poção ficava protegido pra não precisar em tempo nenhum, nunca, jamais, dividir a mágica com ninguém. Na preparação tinha que falar uma porção de nãos e jogar no caldeirão: “não, não, não, não, não…” Só que o menino errou na dose e quando misturou o NÃO número 100 (era pra botar só 99!): Puf!, todas as luzes apagaram.

O menino ficou no meio da escuridão, perdido, sem saber se a sua mágica funcionava ali. Falou “simsalabim”, pra fazer a luz voltar, mas nada. Foi então tateando até achar uma lanterna. Ligou a lanterna e logo pensou: “Será que luz de lanterna também se suja?” E botou a mão na luz pra testar.

Funcionava! Mas aí o menino viu diferente, porque ele viu uma cara de cachorro na mancha escura que apareceu. Ele olhou bem e acabou achando que cara de cachorro não tinha jeito de sujo. Foi nessa hora que ele bolou um truque novo. Inventou primeiro uma palavra mágica e depois gritou lá pra fora: “Supersombrasurpresa”. E, plim!, a criançada logo apareceu.

Pra continuar a mágica, tinha que deixar a lanterna ligada. Aí o menino ia fazendo uns personagens, só usando as mãos, e as sombras dançavam na parede pra todo mundo ver. Teve cachorro, palhaço, coelho, pirata, príncipe. Teve estrela, passarinho, girafa, fogo, fumaça e até furacão. Teve criança que se assustou e chorou, mas depois as luzes acenderam, as sombras sumiram, e todas as crianças riram. Riram porque agora sabiam um segredo: que dentro de toda luz tem sempre sombra escondida.

sombras

Sobre a ilustradora: Caroline Pires é ilustradora e artista gráfica, trabalha atualmente em livros infantis e ama gatos, arte, livros (principalmente os ilustrados), barulho de chuva e lápis de cor.

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