As aventuras de Carolina e Cícero

Quando a família Robinson resolveu reformar o banheiro, eles decidiram que não queriam mais a banheira e a coitada da Carolina acabou no depósito de lixo. A verdade é que, no começo, Carolina bem que gostou da casa nova, porque ali ela fez um monte de amigos: tinha televisão velha, computador quebrado, cadeira faltando pé, uma porção de pedaços disso e daquilo e muito mais. Eles conversavam noite adentro e todo mundo tinha alguma coisa interessante pra contar sobre a vida.

O problema é que chegou uma hora em que a Carolina começou a sentir falta da água. Ela tinha sede, a pele muito seca, morria de saudade do abraço macio da água. Carolina foi então conversar sobre sua tristeza com o querido amigo Cícero, a lona de circo. Cícero ouviu e contou que também estava chateado, porque sentia falta das crianças e de viajar pelo mundo. Os dois tinham mesmo muito o que conversar. Trocaram ideias pequenas, grandes, engraçadas, tristes, malucas e, no final, bolaram um plano: eles iam navegar juntos pelos oceanos! Animadíssimos, pediram ajuda a um carrinho de mão meio enferrujado, que carregou os dois até a praia e depois deu adeus, abanando um trapo sujo.

Carolina era o barco e Cícero a vela. Que maravilha era estar no mar! Eles aprenderam rápido os truques da navegação e passaram anos e anos viajando pelo mundo. Tudo ia muito bem até o dia em que eles foram pegos de surpresa por uma terrível tempestade. Os ventos e o oceano gritavam, brigavam, tentavam afogar Carolina e Cícero, mas os dois resistiam. De repente, uma montanha de água se levantou numa onda gigante que, lá de cima, jogou os dois com toda força contra uma pedra. Foi um tombo feio, muito feio, mas eles estavam salvos!

Depois da tempestade acalmar, quando conseguiu respirar novamente, a Carolina, cheia de água do mar e peixes de tudo quanto é cor, percebeu que tinha ficado presa na pedra. Os dois se olharam, sem saber o que fazer.

“Eu não posso navegar mais”, Carolina acabou falando.

Cícero não desanimou. Ele tinha visto todo tipo de coisas nas viagens, então não demorou a pensar num outro plano. Ele cobriu a Carolina, de novo como lona de circo, só que cheio de furos e a entrada rasgada. O sol passava pelos furos, pontilhando de luz os peixes da Carolina, e pela entrada sempre aberta, passava quem quisesse passar. Em cima da entrada, Cícero pediu a uma gaivota pra escrever com seu cocô branco brilhante: AQUÁRIO PÚBLICO.

Agora Carolina está sempre com água e Cícero sempre com crianças, que vêm do mundo todo pra ver os peixes coloridos. Os dois adoram morar em frente ao mar.

Ilustração Yara Kono

Sobre a ilustradora: Yara Kono nasceu no Brasil em 1972. Ela começou seus primeiros rabiscos na parede de um pequeno quarto e a mãe dela, que no início não ficou nada feliz, acabou cedendo uma parede inteira para ela desenhar. Agora ela mora em Portugal e continua desenhando, mas atualmente em papel (e não só). Ela é parte da equipe do estúdio de design gráfico/editora Planeta Tangerina.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s